O Sonora Brasil, projeto nacional do Sesc que valoriza e difunde a diversidade musical do país, percorre diversas cidades em uma 28ª edição dedicada ao tema “Reverberações Afro e Indígenas”. No Pará, o lançamento da circulação acontece nos dias 19 e 20 de junho, em Santarém, reforçando a conexão entre o tema e a potência cultural da região amazônica, marcada pela presença viva de saberes indígenas e afro-brasileiros.
Nesta edição, o projeto coloca em evidência artistas e coletivos que tensionam fronteiras estéticas, articulando memória, identidade e território em suas obras. A iniciativa propõe um mergulho nas matrizes culturais que formam a música brasileira, destacando tradições, linguagens contemporâneas e experiências artísticas que nascem do encontro entre ancestralidade e criação.
CABOKAJI (BA)
Entre os destaques da programação está o coletivo Cabokaji, plataforma artística da cena contemporânea baiana que cruza música, performance e pensamento a partir das matrizes indígeno-pindorâmica e afro-brasileira. Tendo a figura do Caboclo como referencial simbólico e ritualístico (presente em tradições como o tambor de mina, a umbanda e os candomblés de nação Bantu, Jêje e Kêto) o grupo constrói uma linguagem que conecta espiritualidade, ancestralidade, território e experimentação.
NDERÉ OBLÉ (RS)
Outro nome presente é Nderé Oblé, projeto musical nascido em Porto Alegre e idealizado por Dessa Ferreira, que reúne também Dona Conceição, Loua Pacon Oulaï e Oderiê Chayúa. O grupo apresenta o espetáculo Ancestral-Futuro, que percorre tempos e territórios por meio de canções autorais, poesia e sonoridades contemporâneas. A proposta celebra culturas negras e indígenas, afirmando o bem viver, a memória coletiva e a potência dos encontros como caminhos para imaginar futuros possíveis.
SURARAS DO TAPAJÓS (PA)
Representando a força da cultura tradicional amazônica, as Suraras do Tapajós levam ao palco o protagonismo feminino indígena por meio do carimbó. Com uma abordagem ao mesmo tempo lúdica e potente, o grupo aborda temas como o direito das mulheres, a defesa dos territórios, o cuidado com o meio ambiente e a preservação dos povos originários. Suas apresentações transformam o palco em um espaço de expressão das vivências das mulheres indígenas, conduzindo o público por um panorama da riqueza musical paraense e da sonoridade da floresta.
GEAN RAMOS PANKARARU (PE)
A programação conta ainda com Gean Ramos Pankararu, cantor, compositor, produtor e articulador cultural indígena, reconhecido como um dos precursores da música indígena contemporânea no Brasil. Com mais de duas décadas de trajetória, o artista pernambucano construiu sua obra a partir do território e da ancestralidade de seu povo, o Pankararu. Ao longo de sua carreira, lançou seis álbuns e recebeu indicações a importantes premiações internacionais, como o Indigenous Music Awards, no Canadá, e o Grammy Latino, consolidando-se como uma das vozes mais relevantes na cena autoral brasileira.
Com essa diversidade de propostas, o Sonora Brasil reafirma seu compromisso de promover encontros entre tradições e contemporaneidade, ampliando o acesso do público a expressões artísticas que ecoam histórias, resistências e futuros possíveis. Em Santarém, o lançamento do projeto se conecta diretamente com o território, valorizando artistas que transformam suas raízes em potência criativa e diálogo com o mundo. Nos dias 24 a 26/06, a programação chega em Belém com ações no Sesc Casa da Música e Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso.
Programação
28º Sonora Brasil - Santarém
Gratuito
19 e 20 de junho
Local: Auditório Sesc Santarém e Praça Tiradentes
Sexta-feira | 19 de junho
Sesc em Santarém
• 18h – Abertura
• 19h – Gean Ramos Pankararu (PE)
• 20h30 –Suraras do Tapajós (PA)
Sábado | 20 de junho
• 17h – início das atividades na praça/palco
• 19h – Show - Nderé Oblé (RS)
• 20h30 – Show - Cabokaji (BA)
• 21h30 – DJ
