Grafismos
tapajônicos que dialogam com os adinkras africanos, linguagens e culturas que
ecoam e conversam. Reverberações Afro e Indígenas. O que séculos e milhares de
quilômetros separaram, a cultura e a música unem. Foi sob essa atmosfera de
encontro e pertencimento que Santarém se transformou, nos dias 19 e 20 de junho
de 2026, em palco de uma celebração potente da diversidade cultural brasileira
com o lançamento da 28ª edição do Sonora Brasil, projeto do Sesc que percorre o
país valorizando as múltiplas sonoridades de seus territórios.
Com programação
gratuita e intensa, o evento reuniu artistas indígenas, afro-brasileiros e
grupos contemporâneos em apresentações que extrapolaram o palco, promovendo um
verdadeiro intercâmbio de saberes, memórias e expressões. A abertura, realizada
no Sesc em Santarém, contou com shows de Gean Ramos Pankararu e Suraras do
Tapajós, enquanto a Praça Tiradentes recebeu, no dia seguinte, apresentações de
Nderé Oblé e Cabokaji, além da artista local, DJ Pedrita, ocupando o espaço
público com música e ancestralidade.
Mais do que
apresentações musicais, o Sonora Brasil reafirmou seu papel como espaço de
escuta e troca. A proposta da edição, “Reverberações Afro e Indígenas”, se
materializou em cada ritmo, em cada canto e em cada narrativa compartilhada,
conectando territórios e ampliando horizontes culturais. Ao longo do ano, o
projeto seguirá por 42 cidades em 15 estados, com 130 apresentações e 30 ações
formativas, fortalecendo essa rede de circulação e diálogo.
A Diretora Regional
do Sesc no Pará, Heloíva Távora, destacou a importância do projeto como
ferramenta de aproximação entre culturas:
“O Sonora Brasil reafirma o compromisso do Sesc em promover encontros que
valorizam a diversidade e ampliam as escutas entre diferentes povos.” Já o
presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac no Pará, Sebastião de Oliveira
Campos, ressaltou o impacto do evento para o público e para os artistas:
“É uma iniciativa que fortalece a cultura brasileira e cria pontes entre
territórios, unindo tradição e contemporaneidade por meio da música.”
No palco, mas
também nos bastidores e nas vivências compartilhadas, o encontro entre artistas
e comunidades evidenciou o sentido mais profundo da proposta. Em sua passagem
pelo território amazônico, o músico indígena Gean Ramos Pankararu sintetizou
esse sentimento ao se conectar com o coletivo Suraras do Tapajós. “É uma
alegria encontrar as Suraras de pé, resistindo, através da estrutura física da
casa, mas também da estrutura ancestral, que é a memória”, disse. As Suraras do
Tapajós são mulheres indígenas que transformam o carimbó em instrumento de
resistência e afirmação.
Ao final de dois
dias de intensa programação, ficou evidente que o lançamento do Sonora Brasil
em Santarém não foi apenas um evento, mas um território simbólico de encontro.
Um lugar onde passado e presente dialogam, onde tradição e experimentação
coexistem e onde diferentes matrizes culturais se reconhecem e se fortalecem.
E é com esse
espírito de continuidade que o projeto segue sua itinerância, levando consigo
as reverberações vividas às margens do Tapajós para outros públicos e cidades.
Como reforça Gean Ramos Pankararu: “Que bom que essa instituição que é o Sesc
pensou nessa possibilidade. A nossa presença aqui é uma ocupação, uma
demarcação de espaço que deve ser vista por todos”.
A próxima parada
é Belém e o eco desse encontro já anuncia novos diálogos, novas escutas e novas
conexões. Nos dias 24 a 26/06, a programação chega em Belém com ações no
Sesc Casa da Música e Sesc Doca.
O SONORA
BRASIL
Promovido desde
1998, o projeto traz como proposta a valorização, preservação e difusão do
patrimônio cultural brasileiro, levando ao público programações musicais de
alta qualidade e ampliando o conhecimento sobre a diversidade artística
produzida em diferentes regiões do país. A nova edição reforça o compromisso do
Sesc em promover encontros culturais capazes de ampliar escutas, aproximar
mundos e fortalecer a multiplicidade de vozes que constituem o Brasil
contemporâneo.
